4 de mai de 2012


Santo de Mariene baixa no show Tabaroinha e faz milagre em casa do Rio

Resenha de show
Título: Tabaroinha
Artista: Mariene de Castro (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 2 de maio de 2012
Cotação: * * * *

Forte, o santo de Mariene de Castro baixou no terreiro carioca e fez milagre. A cantora baiana saiu consagrada de cena em seu primeiro show numa casa do Rio de Janeiro (RJ) - no caso, o acolhedor Teatro Rival., palco da estreia nacional do show Tabaroinha na noite de 2 de maio de 2012. O santo baixou em todos os sentidos. A cantora baiana louvou seus orixás através de repertório vivaz. Atenuado no recém-lançado CD Tabaroinha pelo produtor Alê Siqueira, o sotaque afro-brasileiro do repertório da artista aparece com força no show, geralmente na levada do samba de roda. Por mais que Mariene busque um sincretismo musical e religioso ao longo do roteiro de 31 músicas, a fé da intérprete  nos santos e no samba de sua terra dá o tom caloroso do show, de forte sotaque percussivo. E, se o baticum contagia, é sobretudo porque a cantora tem luminosa presença cênica. Basta Mariene surgir no palco para concentrar todas as atenções. Quente como o colo da preta velha retratada por Dorival Caymmi (1914 - 2008) em Tia Anastácia (Cantiga pro Sinhozinho), um dos temas revisitados por Mariene no disco e show Tabaroinha, a voz da artista parece naturalmente talhada para o repertório fervoroso que rebobina. O show, no todo, é vibrante, contagiante. No entanto, ainda precisa de uns ajustes de direção. As falas de Mariene estão longas demais e podem ser editadas sem prejuízo da espontaneidade da artista. Os solos dos convidados da estreia nacional deTabaroinha também eram dispensáveis - uma vez que, desde o primeiro número, Mariene já botou o público carioca na (palma da) mão. A propósito, o bloco inicial - com A Pureza da Flor(Arlindo Cruz, Jr. Dom e Babi, 2006), A Filha do Mar (Flávia Wenceslau, 2010), Ilha de Maré(Walmir Lupa e Lima, 1977) e Falsa Baiana (Geraldo Pereira, 1944) - resultou irresistível, radiante.  Mariene rodopiando em Ilha de Maré - com a barriga já proeminente da quarta gravidez - ao som da sanfona de Cícero Assis é cena memorável. Aliás, a cantora acerta ao recorrer volta e meia ao melhor repertório de Alcione. Roda Ciranda (Martinho da Vila, 1984),Na Paz de Deus (Arlindo Cruz, Beto Sem Braço e Sombrinha, 1986) e Não Deixe o Samba Morrer(Edson Conceição e Aluísio, 1975) são sambas que caem bem na voz vivaz dessa verdadeira baiana que sabe comandar a roda. Por isso mesmo, a presença opaca de Nelson Rufino emAmuleto da Sorte - o grande samba romântico que o compositor baiano forneceu para o CDTabaroinha -  acabou atrapalhando a interpretação de Mariene. Que pareceu mais à vontade, sozinha, em Guerreira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1978), samba-título do álbum lançado por Clara Nunes (1942 - 1983) em 1978. Sim, a luminosidade da saudosa Clara ecoa no canto de Mariene. Inclusive pelo apego de ambas as cantoras às tradições musicais afro-brasileiras. Seja como for, Clara é única, imortal, e Mariene de Castro tem sua própria identidade, construída na batida do samba do Recôncavo Baiano. É por isso que ela consegue pôr na mesma roda o ijexá Ponto de Nanã (Roque Ferreira, 2007) - com a apropriada citação do Cordeiro de Nanã (Tincoãs) -  e um samba cheio de dengo como Não Vou Pra Casa (Antonio Almeida e Roberto Riberti, 1941), já revisitado com a habitual maestria por ninguém menos do que João Gilberto. Ninguém quer que a cantora vá para casa. Até porque, na parte final do roteiro, Mariene abre caminho para o repertório que já canta há anos em Salvador (BA) no projeto Santo de Casa. É a hora do pot-pourri de sambas de roda e de louvações aos orixás. E não é que Ogum (Claudemir e Marquinhos PQD, 2008), samba do repertório de Zeca Pagodinho, caiu muito bem no colo da verdadeira baiana? No bis, a belíssima e poética Prece de Pescador(Roque Ferreira e J. Velloso, 2004) reitera que Roque Ferreira reza pela cartilha musical de Caymmi. Já a evocação do refrão do politizado samba-rock Brasil (Cazuza, George Israel e Nilo Romero, 1987) soa deslocada e fora do tom. Mas não a ponto de diluir a impressão de que Mariene de Castro se consagrou em sua estreia nos palcos do Rio de Janeiro. O santo baixouforte no terreiro carioca como se o Rival fosse a sua casa...

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