16 de abr de 2012

HOJE TEMOS MAIS UM BELO TEXTO DE NOSSO AMIGO MARCELO TEIXEIRA, CULTURA EM PRIMEIRO LUGAR!

Clara Nunes e Paulo Gracindo e um dos melhores discos da MPB


Quando Se junta dois monstros sagrados, quando há o encontro de dois gênios das artes, quando a música se encontra com o teatro, quando voz cantada encontra-se com voz falada, quando um homem se encontra com uma mulher, quando o amor se encontra com o desespero de poder dizer tudo aquilo que está engasgado dentro de sua garganta, quando o desejo de se obter um amor se encontra com o desejo e a vontade louca de estar junto, amando, curtindo e loucamente apaixonados, temos a certeza de que o amor vale a pena. E quando Clara Nunes encontrou Paulo Gracindo para fazer o espetáculo Brasileiro Profissão Esperança, a sensação de que os gênios, os artistas, as artes e o emaranhado de profusões de amor e paixão são, de fato, concretos, temos a certeza de que o amor é, com todo o requinte de palavras, o amor na sua mais contundente forma. Direção impecável de Bibi Ferreira e texto magistral de Paulo Pontes, Brasileiro Profissão Esperança nos cativa porque fala de amor, um amor que invade fronteiras, que alimenta almas, que ressuscita pessoas, que renasce a cada dia e a cada minuto, que transpassa dos limites da paixão e que acerca disso, limitavam-se apenas a buscar a felicidade.

Antônio Maria amou loucamente Dolores Duran. Clara Nunes e Paulo Gracindo, no teatro, reviveram este espetáculo da vida aberta e das dores e amores e sentimentos e paixões que muitas vezes acontece com a gente mesmo. O amor cantado por Antônio e Dolores é a mais sublime, a mais apaixonante possível e a mais verdadeira. E fica impossível não ouvirmos este disco lançado por Clara em 1974 e não nos emocionarmos com sua beleza, com sua voz, com sua respiração. Impossível também não nos admirarmos com a arte cênica de Paulo, com sua bela voz, cortante e lasciva, que fala com amor e ódio, com paixão e desenvoltura, com tenro amor e com tenra sensibilidade, que fica difícil dizermos que este não é um grande disco. Clara canta cristalinamente e parece que canta ainda melhor a cada audição as dores de um amor, o sentimento de uma busca, a inquietude de um beijo, a sensação de um abraço, o aconchego de um acalanto, o sentido do amor.

Paulo, interpretando Antônio Maria, ora é agressivo, ora é espontâneo, ora é humano, ora amorosamente companheiro, mas no fundo, no fundo mesmo, ele era um apaixonado, um romântico que gostava de contar piadas e falar das desgraças alheias com requinte, de soltar um palavrão em uma festa, de cuspir para o celeiro intelectual quando suas ideias não eram aprovadas ou de ser um galante com as mulheres no momento certo. Antônio Maria era homem. Antônio Maria era ríspido, mas amava. E quando amava uma mulher, a amava verdadeiramente. Dolores Duran foi sua grande paixão, sua companheira e deste amor nasceu composições perfeitas, originais, sensíveis e humanas.

O disco é de uma perfeição completa e estupenda. Aconselho a ouvi-lo quando se está triste, para que cada frase dita por Paulo seja degustada, seja engolida, seja dilatada em seus poros com tamanha parcimônia e harmonia. E que cada música cantada por Clara seja absolvida da melhor das hipóteses, com todo o carinho e sentimentalismo puro a qual ela nos passa. Ouvir este disco é ter a certeza de que o amor existe e existe no coração dos homens fortes, dos homens que outrora são considerados sem coração, dos homens que não transmitem amor, mas que no fundo desse mesmo homem, a verdadeira palavra amor existe e existe tanto, que é capaz de fazer um coração feliz.

Antônio Maria e Dolores Duran se tivessem sido irmãos não seriam tão parecidos. Os dois gostavam de viver mais de noite do que de dia, os dois faziam canções, os dois precisavam de amor para respirar, eram puxados para o mesmo sentimento e, mesmo na hora da morte, os dois foram atingidos por um só inimigo: o coração. A obra que os dois deixaram, hoje espalhada pelos jornais e redes sociais, reflete essa indisfarçável identidade. Mas, prestando atenção nas coisas que eles disseram e escreveram e nas músicas que eles fizeram é a gente descobre a expressão maior dessa semelhança: os dois se refugiavam do absurdo do mundo, que eles revelaram com humor e amargura, na desesperada aventura afetiva. O amor era o último reduto dos dois.

Clara e Paulo harmonizam um disco maravilhoso, lançado em 1974, hoje pouco disponível para a venda. Mas na internet e redes sociais é muito possível e provável que você tenha acesso ao conteúdo gerado por dois gênios da música popular brasileira, Antônio e Dolores, que simplesmente se amaram e viveram. Mas ouçam o disco com toda a atenção. E até mesmo as pessoas que acham que o coração de um homem temperamental é rude ou insensato, as pessoas estão totalmente equivocadas quando se existe um alguém para amar e ser amado.

Nota 10

Brasileiro Profissão Esperança

Clara Nunes e Paulo Gracindo

Marcelo Teixeira.

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