29 de out de 2007




Crônicas de 1999

LEMBRANDO CLARA NUNES

Lembrei-me de Clara Nunes com seu tipo popular de mulher brasileira, a boca rasgada e sensual, os olhos algo malaios, o cabelo crespo e farto, pois se viva estivesse, faria 56 anos na quinta feira, 12 de agosto.
Clara teve origens humildes. Órfã e tecelã. Diferentemente, porém, da média dos ascendentes que incorpora a ideologia do dominante e seus modos de vida, cultura, etc. Ela foi uma representante vitoriosa da cultura do dominado. E como pessoa só tomou posições na direção da simplicidade, da fraternidade, do coleguismo. Sua opção? O povo e sua arte.
Como cantora, Clara Nunes tinha voz quase no belo registro de soprano dramático. Não era empostada por estudo e técnica. Espontânea, natural, com índices razoáveis de intensidade e extensão para o canto popular mas, sobretudo, ressaltava-lhe o timbre de teor morno e sedutor. Volume de cantora popular. O suficiente.
A feminilidade saltava-lhe através das formas discretas mas expressivas e sensuais, com as quais movia o corpo ao ritmo das músicas ao cantar. A sensualidade de Clara Nunes jamais foi explícita, extrovertida ou artificialmente acentuada. Fluía naturalmente, a partir de sua moderação. Estava na respiração, no olhar, na feminilidade natural, no riso bom e olhar "saleroso".
Incorporou, ademais, a seu canto, outro elemento provindo das camadas populares e peculiares aos setores oprimidos e marginalizados da sociedade brasileira: os pontos de umbanda, a espiritualidade, a roupa branca. Em fase de valorização de idéias e comportamentos oriundos do materialismo, ela ousou trazer a religiosidade profunda dos segmentos negros da sociedade brasileira, fundindo-os no produto final e mesclado das várias formas afro-brasileiras que fez questão de divulgar. No início os intelectuais torciam o nariz. Hoje a consagram.
Estrela de seu povo, assim luziu, linda, Clara Nunes.
A obra de Clara Nunes é forte e permanece. Não há como deixá-la de lado: ela cantava como o Brasil. E eu recordo aqui, além do pássaro, o ser humano meigo, solidário e generoso que foi. Pedaço de nuvem boa, residência de anjos, assim era seu coração.

ARTHUR DA TAVOLA

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