22 de jan de 2010

DVD "Rita Ribeiro - Technomacumba"



20/1/2010


Cabocla Rita Ribeiro celebra, com o lançamento do DVD "Tecnomacumba - a tempo e ao vivo" (Biscoito Fino), a festa de ser brasileiro

A notícia que se lê hoje, amanhã estará embrulhando peixe. Infelizmente, este velho ensinamento do curso de Jornalismo continua sendo a mais pura verdade. Claro, reservados os atuais bancos de dados virtuais e os interesses pessoais de cada um. Foi pensando na efemeridade e na dessacralização das notícias que o cenógrafo Cássio Brasil encheu de jornais o palco do Vivo Rio onde Rita Ribeiro faria mais uma apresentação do espetáculo "Tecnomacumba". Ao longo de seis anos, esta rotina se renovou entre convidados e novas músicas de um repertório fundamentado na fusão entre as tradições dos cantos dos terreiros e da MPB que tanto já cantou nosso sincretismo, ornamentadas com levadas contemporâneas, do rock às batidas eletrônicas. Em 2006, virou CD e ganhou ainda mais chão. Então, a notícia do show que registraria o DVD de Rita, o primeiro de sua carreira, praticamente com o mesmo repertório daquele CD, na verdade representava apenas a confirmação da longevidade que o projeto ainda terá.

Isto porque é preciso considerar que, apesar de a MPB estar sempre se apropriando deste repertório, principalmente através de seus "medalhões" e das matizes do samba, são raros os que levantaram a bandeira da religiosidade afro-brasileira em um projeto completo. Ao ouvir o Ponto da Cabocla Jurema, uma vez, a ficha caiu para Rita Ribeiro. Nada mais natural, talvez. Afinal, ela vem do Maranhão, terra onde a cultura sempre foi preservada pelo próprio povo, não por modas ou interesses político-culturais. No entanto, ela já pertence a uma geração dedicada a uma renovação da MPB que, em geral, acaba ficando mais restrita a buscar novas roupagens (ou fantasias?) para velhas alegorias. Bem, felizmente, Rita Ribeiro mudou sua própria tendência. Em um projeto que ficará marcado em sua trajetória, "Tecnomacumba" sacode a poeira dos orixás, pede a bênção a ícones da MPB como Maria Bethânia e CLARA NUNES e faz a festa da classe média brasileira. Ou melhor, a festa de um povo, que ainda precisará por muitos anos de políticas afirmativas e de projetos como este, em boa hora patrocinado pela Petrobras. "A tempo e ao vivo", como sugere o subtítulo do trabalho.

Iorubá, MPB e ritmo

Claro, ninguém precisa - como parecem fazer os cariocas presentes ao Vivo Rio - entender ou conhecer os cânticos e os pontos de umbanda, dedicados a alguns dos orixás e entoados pela maranhense, em iorubá. Dá para perceber toda a energia positiva que flui deles, todos adaptados da tradição popular pela própria Rita. Assim como ninguém precisa se assustar (muito menos "mangar", como costumamos fazer tão naturalmente) com as gargalhadas, os gestos e os termos que eles contêm. Se você ainda não conhece nada desta cultura, é natural que se faça pelo menos o que devemos fazer sempre por cada cultura: respeitar. E uma boa forma de expressar este respeito é justamente se envolver na profusão de ritmos e timbres de sua manifestação contemporânea, em que podem pintar desde levadas mais familiares como o samba-funk de Jorge Ben Jor em "Domingo 23" ou o rock azeitado da banda Cavaleiros de Aruanda em torno do canto de Caymmi ("Rainha do Mar").

Há outras referências da Música Popular Brasileira, como "Moça Bonita" (Jair Amorim/Evaldo Gouveia), entre giras e beats; "Babá Alapalá" (Gilberto Gil, do disco "Refavela"), com coreografia de Kiusam de Oliveira em torno do orixá Xangô; "Oração ao Tempo" (Caetano Veloso), com a MPB reinando leve, soberana; "A Deusa dos Orixás" (Toninho/Romildo) e "Coisa da Antiga" (Wilson Moreira/Nei Lopes), ambas do repertório de CLARA NUNES ; "É D´Oxum" (Gerônimo/Vevê Calazans), com Rita dançando para o orixá com Valéria Monã; além das menos conhecidas "Cavaleiro de Aruanda" (Tony Osanah), popular para os cariocas, e "Iansã" (Caetano Veloso/Gilberto Gil), em um funk que ganha o contraponto do violão de Jaime Alem e da voz da única convidada da noite, Maria Bethânia. Sempre com a síncope e os encantamentos dos terreiros, já tão naturais a qualquer festa de roda brasileira, nem sempre tão digna de respeito.

HENRIQUE NUNES
REPÓRTER

FONTE: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=722319
DICA: Alex Acioli (AP)

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