2 de abr de 2008

Folha de Pernambuco

02/04/2008

Uma das maiores intérpretes do samba

Há 25 anos, morria Clara Nunes, depois de uma simples cirurgia de varizes
Cantora gravou 13 discos e vendeu mais de 10 milhões de cópias


Bruno Nogueira

Não havia sinal de alegria na quadra da escola de samba da Portela, na mesma manhã de 2 de abril, só que no ano de 1983. A velha guarda, junto a familiares, amigos, se reuniam para se despedir de Clara Francisca Nunes Gonçalves Pinheiro, ou Clara Nunes, como ficou conhecida ao longo dos 13 anos de carreira como uma das maiores intérpretes de samba que o País já havia conhecido. Mineira de nascimento, mas carioca por vocação, ela foi sepultada no mesmo dia no Cemitério São João Batista, no bairro do Botafogo do Rio de Janeiro.
O falecimento de Clara Nunes não foi nenhuma surpresa para os fãs. Ela estava em coma há 28 dias, tendo entrado na Clínica São Vicente, na Gávea, no começo do mês de março. O que seria uma operação simples de varizes na perna esquerda, que a deixava com dores fortes ao dançar, acarretou numa parada cardíaca e paralisação da atividade cerebral por falta de oxigenação. A hipótese de erro médico, que teria causado um choque anafilático, nunca foi descartada.

Clara Nunes deixou de legado 13 discos, que somaram, ainda durante sua vida, mais de dez milhões de cópias vendidas. Do primeiro registro, batizado de “A Voz Adorável de Clara Nunes” onde ainda cantava boleros; à “Nação”, lançado um ano antes de sua morte; passando por seu maior sucesso, o álbum “Brasil Mestiço”, que, ao ser lançado em 1980, ultrapassou um milhão de cópias vendidas. Foram mais de 18 discos de ouro premiados ao longo da carreira.

Sua voz tornou conhecida algumas canções como “Canto de Areia”, “Ê Baiana”, “Morena de Angola”, “Deixa Clarear”, “Alvorada”, “O Mar Serenou”, “As Forças da Natureza” e “Portela na Avenida”, entre tantos sambas de partido alto, além de composições de consagrados como Caetano Veloso e Dorival Caymmi. Sua obra foi tão grande, que chegou a render cinco discos póstumos inéditos. Nenhum deles, entretanto, chegou a atingir a marca de vendas que Clara Nunes conquistou em vida.

Foi Clara Nunes quem legitimou uma abertura no repertório feminino brasileiro, como pode ser percebido no trabalho de cantoras como Alcione, por exemplo. Quando conquistou seu lugar como sambista, ela passou a ser elogiada também pelas gravações que fez de umbanda, candomblé e outros temas religiosos. Os colares e miçangas africanas se tornaram uma marca registrada da cantora, que passou, também, a interpretar outras canções em ritmo de baião e valsa.

Daquelas primeiras canções de Ataulfo Alvez, que garantiram sua vitória nos primeiros concursos da Música Popular Brasileira, até sua última apresentação, Clara Nunes juntou em vida um repertório que deixa saudade. É um tipo de cantora que continua sendo mimetizada por gerações mais novas, mas que teve na personalidade uma marca que garante uma sobrevida eterna no pódio da MPB, como uma das principais vozes que o Brasil já ouviu cantar.


Folha de Pernambuco

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