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28 de mar. de 2013

DENTRE AS MULHERES NOTáVEIS DO SECULO 20 DESTACA-SE UMA MINEIRA
QUE NASCEU NA CIDADE ESCONDIDA POREM NOTABILIZADA PELA GUERREIRA
A CANDURA DESTA LINDA CRIATURA BENEVOLENTE, E DE AUSêNCIA PUNGENTE,
DEIXOU LASTROS PAVIMENTANDO UMA ESTRADA QUE LHE PARECIA PEDREGOSA
AFROXOU OS LAÇOS DA INDIFERENÇA E AGRUPOU FEZ DO LIMO A ROSA
DE CASTRO ALVES O DELATOR POETA DA DESONRA DO NAVIO NEGREIRO
CLARA FEZ COM QUE CADA OFENSOR DA UMBANDA ,TIVESSE UM PÉ NO TERREIRO
NÃO OBSTANTE O QUEIXO LEVANTADO DE UM CORO SEM CAUSA DE CONHECIMENTO
ELA ASSEVEROU,INSTOU ,SUA SEREIA SAMBOU E O MAR REVOLTOSO SERENOU
GRITOU SUA VOCAÇÃO QUE PULULAVA ,E BRADOU SEU AGÔ COMO ESPADA
QUEM NEGOU,VIROU ADESÃO ,E ELA MAIS DO QUE RAINHA ,SE TORNOU UMA FADA,
ENCANTOU TODA UMA NAÇÃO ,LANÇOU SEU FEITIÇO ESPARGINDO PÓ DE AMOR
SUA PRESENÇA FOI BRILHO EM PALCO ESCURO,SUA VOZ LENITIVO PRA DOR,
DE FRATELI AMICHE ,MORAIS PARA CLARA NUNES

texto de nosso amigo e colaborador: José Moraes /SP

9 de fev. de 2013


Camarim do Teatro Clara Nunes julho 1981 (foto:Acervo pessoal Deolinda Vilhena)

SAUDADES DE CLARA

POR DEOLINDA VILHENA

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5303151-EI11348,00-O+teatro+e+eu+em+busca+de+rumos.html

Já lá se vão 28 anos e meio que a MPB perdeu uma de suas mais belas vozes: Clara Nunes. E eu, a minha patroa e minha melhor amiga. Quando se tem 23 anos são perdas inesquecíveis. Para quem não sabe fui assessora de imprensa e produtora da Clara. Durante anos fugi de todas as homenagens prestadas à ela. Tive diversos problemas ligados a um certo fanatismo de um grupo de pessoas que faz dinheiro em seu nome. Aos poucos me afastei de tudo o que era ligado à Clara. Foi também a maneira que encontrei de amenizar a enorme dor de perdê-la. Nos últimos anos estou vivendo melhor com isso, por isso fiquei muito triste quando não consegui escrever a coluna do dia 12 de agosto, nesse dia nossa Mineira-Guerreira estaria completando 69 anos e gostaria de homenageá-la.

Faço-o agora, dizendo que em breve estarão abertas as comemorações dos seus 70 anos, que serão festejados em 2012 e dos 30 anos de sua partida que serão lembrados comme il faut em 2013, porque dessa vez eu quero entrar na festa...quem viver, verá! Salve Clara!

12 de set. de 2012

TEXTO DE MEU AMIGO : JOSÉ ROBERTO


MENSAGEM PARA CLARA GUERREIRA:



José Roberto Santos Neves
neves-jose@uol.com.br

Eu tinha 11 anos quando você partiu, aos 39, no auge da carreira. Lembro bem de vê-la exuberante no
“Fantástico”, toda de branco, com seus balangandãs, a morenice à flor da pele, os cabelos cor de terra,
o sorriso aberto, “cantando o samba verdadeiro, fazendo o que mandou Mineiro”, tendo sempre ao
fundo a natureza, o mar, as rochas, as cachoeiras e árvores, tudo o que há de mais sagrado nesse
mundo.
Você que foi uma das vozes mais populares desse país, a deusa dos orixás, a mulher por quem o mar
serenou; aquela que melhor personificou o misticismo da África ao Brasil, na forma de um sincretismo
religioso que reuniu o candomblé, o espiritismo e a tradição católica, herança da sua infância na
pequena Caetanópolis. Foi a mineira, mas também a baiana, a carioca da Portela, que cantou sambas
de terreiro, sambas-enredos, baião, forró, frevo, jongo, afoxé. Sinônimo de brasilidade, de amor e
devoção à música brasileira.
Só no “Fantástico”, foram 21 clipes, exibidos entre 1974 e 1983. Um recorde. No “Globo de Ouro”, você
estava a cada semana com um novo sucesso. Foi a primeira mulher a atingir a marca de 500 mil cópias
vendidas de um único disco, de 1974, que trouxe o “Alvorecer” de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho,
derrubando assim o tabu de que as mulheres não eram grandes vendedoras de discos no Brasil. Uma
trajetória gloriosa que começou em 1942, quando “um ser de luz nasceu/numa cidade do interior/e o
menino Deus abençoou”, crescendo e tornando-se dona dos versos de um trovador que lhe deu amor e
alguns dos mais belos sambas que um criador pode oferecer a sua musa inspiradora.
Você que foi operária, tecelã, a Voz de Ouro nas rádios de BH, e que chegou ao Rio com a cara, a
coragem e o sonho de ser uma estrela, na metade dos anos 60, estreando pela Odeon em 1966 com “A
voz adorável de Clara Nunes”. Você já era uma estrela. Estrela Clara. Mas queriam transformá-la em
mais uma cantora de boleros. Então você conheceu Ataulfo Alves, disse a ele que queria cantar
sambas, e o mestre lhe deu o que seria seu primeiro sucesso, “Você passa, eu acho graça”, em parceria
com Carlos Imperial. As portas se abriram, e logo depois o destino a uniu a Adelzon Alves, que lhe
apresentou a bambas como Candeia, Nelson Cavaquinho, Cartola, Mauro Duarte, Romildo Bastos,
Toninho Nascimento, João Nogueira, Xangô da Mangueira, e a tantos outros que teriam na sua voz a
grande divulgadora de suas criações. Solidificou-se a imagem audiovisual da cantora afro-brasileira, her
deira de Carmen Miranda, seguindo a orientação de Adelzon. Vieram os sucessos, a fama, “Ê baiana”,
“Tristeza pé no chão”, "Quando vim de Minas", “Meu sapato já furou”, “Conto de areia”... Quem a via no
palco, assim, de braços abertos, com seus vestidos claros, a sorrir com esse seu cantar, tinha a
impressão de estar diante de uma entidade e, quando você entoava o “Menino Deus” (“raiou,
resplandeceu, iluminou/na barra do dia o canto do galo ecoou/ a flor se abriu/ a gota de orvalho brilhou/
quando a manhã surgiu/ nos dedos de nosso senhor”), essa força espiritual comungava numa profusão
de ritmos situada entre o sagrado e o profano.
Foi ele, quem lhe deu a mão foi Paulo César Pinheiro, com quem você se casou em 1975, e então veio
uma sequência de discos arrebatadora, com “Claridade”, “Canto das três raças”, “As forças da
natureza”, “Guerreira”. No seu canto, estava o alerta para a destruição do planeta pelos homens de mal
e o surgimento de um novo mundo, quando “uma chuva de prata do céu descer e o ar de novo vai ser
natural”; e também o soluçar de dor do índio, do negro e do branco, as três raças que ao se juntarem
deram origem ao nosso Brasil.
Não posso deixar aqui de registrar como você estava linda na capa de “Esperança” (1979), no Morro da
Saúde, rodeada de crianças, e o texto de apresentação em que destaca a fé no futuro daqueles
meninos, quando nossas favelas ainda não eram dominadas pelo tráfico: “Talvez um deles seja um líder
do povo, um homem da caridade, um libertador, um mártir talvez, talvez um músico. Nisso, a minha fé,
as minhas rezas, os meus amuletos e essa minha persistente esperança”. Depois você entrou nos anos
80 com a “Portela na avenida”, encantou-se pela “Morena de Angola”, derramou lágrimas e seguiu firmesua missão, “acendendo no coração do povo a esperança de um mundo novo e a luta para se viver em
paz”.
Sabe, Guerreira, neste domingo, quando você completaria 70 anos, estarei na sua cidade natal, onde
tudo começou. Mas confesso que fico triste e preocupado quando vejo jovens com menos de 30 anos
dizendo que desconhecem suas músicas. Ignorar seus ícones culturais é mais uma das incoerências
deste Brasil que a gente tanto ama. Mas tenho algo importante para lhe dizer: pode ter a certeza de que
“eu aqui ficarei/ por você rezarei/todas as tardes ao bater a Ave-maria”. E cuidarei da sua obra e da sua
memória para que jamais seja esquecida.
Músicas citadas neste artigo:
Mineira (João Nogueira/Paulo César Pinheiro)
Ser de luz (João Nogueira/Mauro Duarte/Paulo César Pinheiro)
Você passa, eu acho graça (Ataulfo Alves/Carlos Imperial)
Alvorecer (Dona Ivone Lara/Délcio Carvalho)
As forças da natureza (João Nogueira/Paulo César Pinheiro)
Ê baiana (Fabricio da Silva/Baianinho/Enio Santos Ribeiro/Miguel Pancrácio)
Tristeza pé no chão (Armando Fernandes "Mamão")
Quando vim de Minas (Xangô da Mangueira)
Conto de areia (Romildo Bastos/Toninho Nascimento)
Meu sapato já furou (Elton Medeiros/Mauro Duarte)
Minha missão (João Nogueira/Paulo César Pinheiro)
Que seja bem feliz (Cartola)


15 de jun. de 2012


DEPOIMENTO DE FÃ!


BOA TARDE AMIGOS, VISITANTES , SEGUIDORES E CURTIDORES DESTE ESPAÇO A MANTER VIVA A MEMÓRIA DA GUERREIRA CLARA NUNES.

HOJE TRAGO Á VOCÊS O DEPOIMENTO DE NOSSA AMIGA MACK DE RECIFE!



Por que Clara Nunes?


Nunca fui apegada a essa história de ser fã de artistas, mas há alguns anos fui tomada de paixão por uma pessoa que não está viva e cuja lembrança nem ficou tão forte assim na minha memória.
Mas, por que logo ela?

Outro dia me perguntaram se já havia assistido a uma apresentação de Clara. “Só quando criança, mas nem lembro direito do rosto dela”. “Então você precisa ver. Tu dança igual a ela: o braço, o ombro, as mãos. Igualzinho”. Fiquei curiosa.

Meses depois ganhei o livro “Clara Nunes. Guerreira da Utopia”, de Vagner Fernandes, que terminei de ler na semana passada. E agora, enquanto fuço na internet imagens e vídeos que parecem completar partes da minha história, me pergunto a razão de estar ligada a essa mulher.

Talvez pela paixão por sambas e batucadas, pela falta de vergonha em rodar num palco ou num salão como quem reverencia “santos”. Ou pelo sincretismo religioso, por não ter medo de ser tão eclética, mesmo quando o assunto é Deus. Talvez até pela cumplicidade dupla da espera vã por filhos paridos e a sensação de que, tal como ela, não vou conhecer a velhice.

Agora, depois de ter lido tanto sobre a vida de Clara, as justificativas fariam sentido. Mas a admiração nasceu bem antes de conhecê-la. Clara Nunes morreu em 1984, quando eu tinha seis anos - uma criança com medo de palhaço, fã do Balão Mágico e de qualquer samba que me chegasse aos ouvidos. Com essa idade já cantava um monte de músicas dela.

Lembro do disco em vinil que ouvia todo fim de semana com a minha mãe, que segurava as barras de uma saia larga, dançando e cantando “O mar serenou” e “Morena d’angola”. De Clara, tenho a vaga lembrança de um vestido dourado cantando na TV “Filhos de Gandi. Badauê”. Nada além disso. Mesmo com tão pouco, foi essa a mulher eleita para ser um ídolo e seu nome escolhido, desde pequena, para ser o da minha filha.

Aproveitei as férias e dediquei a tarde inteira à pesquisa. Vi mil fotos, assisti a dezenas de vídeos, e encontrei mesmo semelhanças no jeito de dançar e até no rosto - olhos rasgados, boca imensa. Será isso, então um ídolo? Alguém que você admira por analogia?

Não sonho em ser como Clara. Nem sei se me daria bem com uma mulher de temperamento tão forte, mas, ao mesmo tempo, tão insegura. E tinha um monte de coisa nela que eu não concordo. Por isso que às vezes acho que não a escolhi, foi ela quem me elegeu para vasculhar sua memória, para ficar em meu destino.

Era ela quem estava cantando na hora em que o carro onde Marcelle e eu estávamos capotou, e eu sabia que iria dar tudo certo. É a voz dela que reconheço como cantiga de ninar, o som que me acalma e me alegra mesmo nas horas mais difíceis. Estranho um sentimento tão forte por uma desconhecida, mas se ele traz assim tanto bem... que fique.

5 de jun. de 2012

DEPOIMENTO DE FÃ, ESPECIALMENTE RETIRADO DO SITE PARCEIRO PORTELA AMOR!


CARLOS REIS E CLARA NUNES!



Inicio  do meu amor  pela Portela

 Ano de 1983 Portela aclamada como a grande campeã do carnaval. O resultado surpreendeu, pois, havia ficado com o vice-campeonato. No dia do desfile das campeãs fui levado por um amigo para conhecer a concentração da Portela, achei divino, maravilhado com tudo que havia naquele espaço.   De repente surge na concentração uma mulher linda e cheia de garra. Cumprimentando e dando força a todos. Essa figura iluminada era Clara Nunes, um verdadeiro ORIXÀ vivo!

Clara comandava e incentivava a Escola com garra dizendo para as baianas e o restante dos componentes: - vamos entrar com garra, amor pela Portela, porque, a Portela vai mostrar quem é a campeã. Conto com vocês! Falava isso com muito ardor, era realmente uma guerreira!

Naquele momento ela notou que eu observava tudo extremamente admirado; se aproximou e me falou: - Encantado? Você nunca desfilou na Portela? Respondi que não.  Então ela disse: - Um dia você vai desfilar pela Portela. Antes de sair me deu um beijo e agradeceu a todos com sua simpatia e energia.

Alguns meses depois Clara se submete a uma cirurgia fatídica. A população se reuniu em orações por sua recuperação, uma comoção nacional,  todas as religiões e crenças se juntaram. Clara Nunes não se recupera e vem a falecer.

No ano de 1984 o enredo da Portela fazia homenagem a  Paulo, Natal e Clara Nunes. Neste ano a profecia de Clara é confirmada “Um dia você vai desfilar pela Portela” desfilei na Ala do Almirante. Assim foi meu ingresso no Carnaval e na Portela, de uma certa forma por causa de Clara, a quem sempre peço licença para entrar na Avenida. Tenho certeza que ela sempre está presente em nossos desfiles, passando sua energia e vibração.

No final a minha história com o samba e com a Portela (minha maior paixão) partiu de uma visão dela, Clara Nunes, e de certa forma um convite muito especial.
Salve Clara Guerreira! Salve Portela!

Carlos Reis – 1º Destaque da Portela


12 de mai. de 2012


TEXTO EXTRAÍDO DO BLOG:  VISÃO GERAL

DE CAIO FERNANDO


29 anos sem Clara Nunes

(foto de Wilton Montenegro para a capa do LP Esperança de 1979)


"Tenha bons sonhos", disse o Dr. Américo. Clara respondeu: "Que sejam coloridos, doutor."  Américo aplicou - lhe uma combinação de medicamentos na veia. Clara Nunes apagou, para nunca mais despertar.

Eram quinze para as onze da manhã do dia 05 de março de 1983, começa a cirurgía. Clara Nunes, mais linda do que nunca e no auge da carreira - consagrada como uma das mais importantes cantoras brasileiras de todos os tempos e uma das mais queridas e populares artistas do país, reconhecida nacional e internacionalmente, se internara na Clínica São Vicente, uma das mais renomadas e caras do Rio de Janeiro para uma simples operação de varizes.

Clara estava tão tranquila que dispensou a companhía do marido, Paulo César Pinheiro. Foi para a clínica dirigindo seu carro. Era pra ser uma cirurgía boba, e no dia seguinte a cantora recebería alta médica e podería voltar para casa. Um problema com a Anestesía, no entanto, colocou a cantora em vida vegetativa. Clara Nunes sofreu um Choque Anafilático e entrou em coma profundo.

Na madrugada do dia 02 de abril do mesmo ano, um sábado de Aleluia, Clara Nunes entrou oficialmente em óbito, após 28 dias de sofrimento. Poucos meses antes de completar 40 anos, uma das mais belas vozes brasileiras se calava. O Brasil parou. O povo brasileiro sofreu duramente a perda daquela mineirinha simpática, sorridente e cheia de vida. Parecía um pesadelo.

Clara Nunes havía prometido à Velha Guarda da Portela, da qual era madrinha, que voltaría no primeiro domingo de abril para realizar um show junto a seus afilhados. Voltou ao Portelão com um dia de antecedência, porém, dentro de um caixão, para ser velada num dia nublado por cerca de 50 mil pessoas.

Quando o caixão foi fechado, os fãns, emocionados, cantavam a "Valça do Adeus". O surdo da Batería da Portela marcou a saída de Clara, pela última vez, da quadra da escola que tanto amava. Clara Nunes foi enterrada no início da noite, em meio a muita comoção, no Cemitério São João Batista.

"Todos sabem que foi um erro médico. Provar isso são outros quinhentos. Mexer nisso agora é só reabrir velhas feridas", diria Paulo César Pinheiro, anos depois, ao jornal Estado De Minas.


Após 29 anos, Clara Nunes segue viva na memória do povo brasileira. O jornalista e crítico Nelson Motta, em sua coluna no Jornal da Globo, chegou a afirmar que nenhuma outra artista na história do Brasil, foi tão homenageada quanto Clara Nunes foi e ainda é, nos dias de hoje.

Clara Nunes, uma verdadeira rainha da MPB.

Assistam ao Arquivo News em homenagem a Clara Nunes:



28 de abr. de 2012


Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, conhecida como Clara Nunes

BOA TARDE AMIGOS E VISITANTES, HOJE TRAGO MAIS UM TEXTO QUE SERÁ POSTADO  EM DEPOIMENTO DE FÃ, O TEXTO É DA PÁGINA QUINTAL DO SAMBA, AUTORIZADO POR J. MATEUS.
TENHAM UM FINAL DE SEMANA ILUMINADO!

Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, conhecida como Clara Nunes


Publicado em 12 de agosto de 2011
Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, conhecida como Clara Nunes (Paraopeba, 12 de agosto de 1942 — Rio de Janeiro, 2 de abril de 1983), foi uma cantora brasileira, considerada uma das maiores intérpretes do país. Pesquisadora da música popular brasileira, de seus ritmos e de seu folclore, Clara também viajou várias vezes para a África, representando o Brasil.
Conhecedora das danças e das tradições afro-brasileiras, ela se converteu à umbanda. Clara Nunes seria uma das cantoras que mais gravaria canções dos compositores da Portela, sua escola do coração. Também foi a primeira cantora brasileira a vender mais de 100 mil cópias, derrubando um tabu segundo o qual mulheres não vendiam disco.
Caçula dos sete filhos do casal Manuel Ferreira de Araújo e Amélia Gonçalves Nunes, Clara Nunes nasceu no interior de Minas Gerais, no distrito de Cedro – à época pertencente ao município de Paraopeba e depois esse distrito virou cidade e foi emancipado com o nome de Caetanópolis, onde viveu até os 16 anos.
Marceneiro na fábrica de tecidos Cedro & Cachoeira, o pai de Clara era conhecido como Mané Serrador e também era violeiro e participante das festas de Folia de Reis. Mas Manuel morreu em 1944 e, pouco depois, Clara ficaria também órfã de mãe e acabaria sendo criada por sua irmã Dindinha (Maria Gonçalves) e o irmão José (conhecido como Zé Chilau). Naquela época, Clara participava de aulas de catecismo na matriz da Cruzada Eucarística. Lá também cantava ladainhas em latim no coro da igreja.
Segundo as suas próprias palavras, cresceu ouvindo Carmem Costa, Ângela Maria e, principalmente, Elizeth Cardoso e Dalva de Oliveira, das quais sempre teve muita influência, mantendo, no entanto, estilo próprio. Em 1952, ainda menina, Clara venceu seu primeiro concurso de canto organizado em sua cidade, interpretando “Recuerdos de Ypacaraí”. Como prêmio, ganhou um vestido azul. Aos 14 anos, Clara ingressou como tecelã na fábrica Cedro & Cachoeira, a mesma para o qual seu pai trabalhou.
Teve que se mudar para Belo Horizonte, indo morar com a irmã Vicentina e o irmão Joaquim, por causa do assassinato de um namorado, cometido em 1957 por seu irmão Zé Chilau. Na capital mineira, Clara trabalhou como tecelã durante o dia e fez o curso normal à noite. Aos finais de semana, participava dos ensaios do Coral Renascença, na igreja do bairro onde morava. Naquela época, conheceu o violonista Jadir Ambrósio, conhecido por ter composto o hino do Cruzeiro. Admirado com a voz da jovem de 16 anos, Jadir levou Clara a vários programas de rádio, como “Degraus da Fama”, no qual ela se apresentou com o nome de Clara Francisca.
Mudança de nome
No início da década de 1960, Clara conheceu também Aurino Araújo (irmão de Eduardo Araújo), que a levou para conhecer muitos artistas. Aurino também seria seu namorado durante dez anos. Por influência do produtor musical Cid Carvalho, mudou o nome para Clara Nunes, usando o sobrenome da mãe. Quando solteira se chamava Clara Francisca Gonçalves de Araújo, depois de casada que adotou o sobrenome Pinheiro.
Em 1960, já com o nome de Clara Nunes e ainda como tecelã, ela venceu a etapa mineira do concurso “A Voz de Ouro ABC”, com a música “Serenata do Adeus”, composta por Vinicius de Moraes e gravada anteriormente por Elizeth Cardoso. Na final nacional do concurso realizada em São Paulo, Clara Nunes obteve o terceiro lugar com a canção “Só Adeus” (de Jair Amorim e Evaldo Gouveia).
A partir daí, Clara Nunes começou a cantar na Rádio Inconfidência de Belo Horizonte. Durante três anos seguidos foi considerada a melhor cantora de Minas Gerais. Ela também passou a se apresentar como crooner em clubes e boates na capital mineira e chegou a trabalhar com o então baixista Milton Nascimento – àquela altura conhecido como Bituca.

Naquela época, fez sua primeira apresentação na televisão, no programa de Hebe Camargo em Belo Horizonte. Em 1963, Clara Nunes ganhou um programa exclusivo na TV Itacolomi, chamado “Clara Nunes Apresenta” e exibido por um ano e meio. No programa se apresentavam artistas de reconhecimento nacional, entre os quais Altemar Dutra e Ângela Maria. 
Viveu em Belo Horizonte até 1965, quando se mudou para a cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente para Copacabana.
Os primeiros discos
Já no Rio de Janeiro, Clara Nunes se apresentava em vários programas de televisão, como José Messias, Chacrinha, Almoço com as Estrelas e Programa de Jair do Taumaturgo. Antes de aderir ao samba, Clara cantava especialmente boleros. Além de emissoras de rádios e televisão, ela também percorreu escolas de samba, clubes e casas noturnas nos subúrbios cariocas.
Ainda em 1965, ela passou por um teste como cantora na gravadora Odeon, onde registrou pela primeira vez a sua voz em um LP. O disco foi lançado pela Rádio Inconfidência (onde Clara trabalhou quando morava em Belo Horizonte) e contava com a participação de outros artistas, todos da Odeon.
No ano seguinte, Clara foi contratada por esta gravadora, a primeira e a única em toda a sua vida. Naquele mesmo ano, foi lançado o primeiro LP oficial da cantora, “A Voz Adorável de Clara Nunes”. Por insistência da gravadora para que ela interpretasse músicas românticas, Clara apresentou neste álbum um repertório de boleros e sambas-canções, mas o LP foi um fracasso comercial.
Em 1968, Clara Nunes gravou “Você Passa e Eu Acho Graça”, seu segundo disco na carreira e o primeiro onde cantaria sambas. A faixa-título (de Ataulfo Alves e Carlos Imperial) foi seu primeiro grande sucesso radiofônico.
No ano seguinte, a Odeon lançou “A Beleza Que Canta”, LP no qual a cantora interpretou “Casinha Pequena”, uma canção de domínio público.
Ainda em 1969, Clara Nunes ganhou o primeiro lugar no “I Festival da Canção Jovem de Três Rios” com a música “Pra Que Obedecer” (de Paulinho da Viola e Luís Sérgio Bilheri) e ainda classificou a canção “Encontro” (de Elton Medeiros e Luís Sérgio Bilheri) na terceira colocação.
Ficou em oitavo lugar no “IV Festival Internacional da Canção Popular” com a música “Ave Maria do Retirante” (de Alcyvando Luz e Carlos Coqueijo), que foi lançada naquele mesmo ano em disco homônino.
Considerada a cantora que mais gravou obras de compositores portelenses, ela será lembrada no Carnaval de 2012 da azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira. O carnavalesco Paulo Menezes desenvolve o enredo “E o povo na Rua Cantando. É feito uma Reza, um Ritual”.
Homenagem merecida feita pela Paraíso do Tuiuti
Clara Nunes também será homenageada, no Carnaval 2012, pela Paraíso do Tuiuti, que dedica seu enredo a ela, com o título: “Clara Nunes – A tal mineira”. Para saber um pouco mais sobre o pensamento da escola em relação à artista, o carnavalesco Jack Vasconcelos, que, além de admirar a cantora pelo que representa até hoje, disse que está se surpreendendo positivamente com o retorno dos fãs.
“A obra de Clara Nunes é um tratado de identidade nacional. Ela deixou esse legado para o povo brasileiro. Ouvir Clara Nunes é estudar a história do Brasil. Não tem como mensurar a importância dela. Ainda tá sendo espantoso, porque só de falar o nome dela, as pessoas já se sensibilizam. O nome dela é muito forte. Tem gente que é fã, mas nunca viu a Clara cantar. Tem um massa de gente jovem que é fã e sã super ligados à Clara. Para mim, descobrir isso está sendo uma surpresa muito boa”, disse.
Jack destacou que percebeu que os fãs de Clara Nunes, mesmo jovens, que entraram em contato com ele devido ao enredo, são realmente fãs, já que buscam “além da música dela, mas também, sua história de vida”.
O carnavalesco da Tuiuti acredita que, atualmente, as pessoas estão se afastando das “nossas raízes” e se distanciando dos “nossos valores”, por isso, se emociona ao falar de Clara Nunes.
“Falar de Clara, fazer ela ser lembrada já levanta uma discussão sobre o que é nosso. Isso já marcou, vai ficar para sempre”.
Jack lembrou que o desfile da Paraíso do Tuiuti em 2012 vai abordar o nascimento de Clara Nunes e o personagem no qual ela se transformou. As obras da cantora serão o foco do enredo, que promete emocionar o público.
Assista o clipe da música “Abrigo de Vagabundo” com Clara Nunes com a participação especial de Adoniran Barbosa
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16 de abr. de 2012

HOJE TEMOS MAIS UM BELO TEXTO DE NOSSO AMIGO MARCELO TEIXEIRA, CULTURA EM PRIMEIRO LUGAR!

Clara Nunes e Paulo Gracindo e um dos melhores discos da MPB


Quando Se junta dois monstros sagrados, quando há o encontro de dois gênios das artes, quando a música se encontra com o teatro, quando voz cantada encontra-se com voz falada, quando um homem se encontra com uma mulher, quando o amor se encontra com o desespero de poder dizer tudo aquilo que está engasgado dentro de sua garganta, quando o desejo de se obter um amor se encontra com o desejo e a vontade louca de estar junto, amando, curtindo e loucamente apaixonados, temos a certeza de que o amor vale a pena. E quando Clara Nunes encontrou Paulo Gracindo para fazer o espetáculo Brasileiro Profissão Esperança, a sensação de que os gênios, os artistas, as artes e o emaranhado de profusões de amor e paixão são, de fato, concretos, temos a certeza de que o amor é, com todo o requinte de palavras, o amor na sua mais contundente forma. Direção impecável de Bibi Ferreira e texto magistral de Paulo Pontes, Brasileiro Profissão Esperança nos cativa porque fala de amor, um amor que invade fronteiras, que alimenta almas, que ressuscita pessoas, que renasce a cada dia e a cada minuto, que transpassa dos limites da paixão e que acerca disso, limitavam-se apenas a buscar a felicidade.

Antônio Maria amou loucamente Dolores Duran. Clara Nunes e Paulo Gracindo, no teatro, reviveram este espetáculo da vida aberta e das dores e amores e sentimentos e paixões que muitas vezes acontece com a gente mesmo. O amor cantado por Antônio e Dolores é a mais sublime, a mais apaixonante possível e a mais verdadeira. E fica impossível não ouvirmos este disco lançado por Clara em 1974 e não nos emocionarmos com sua beleza, com sua voz, com sua respiração. Impossível também não nos admirarmos com a arte cênica de Paulo, com sua bela voz, cortante e lasciva, que fala com amor e ódio, com paixão e desenvoltura, com tenro amor e com tenra sensibilidade, que fica difícil dizermos que este não é um grande disco. Clara canta cristalinamente e parece que canta ainda melhor a cada audição as dores de um amor, o sentimento de uma busca, a inquietude de um beijo, a sensação de um abraço, o aconchego de um acalanto, o sentido do amor.

Paulo, interpretando Antônio Maria, ora é agressivo, ora é espontâneo, ora é humano, ora amorosamente companheiro, mas no fundo, no fundo mesmo, ele era um apaixonado, um romântico que gostava de contar piadas e falar das desgraças alheias com requinte, de soltar um palavrão em uma festa, de cuspir para o celeiro intelectual quando suas ideias não eram aprovadas ou de ser um galante com as mulheres no momento certo. Antônio Maria era homem. Antônio Maria era ríspido, mas amava. E quando amava uma mulher, a amava verdadeiramente. Dolores Duran foi sua grande paixão, sua companheira e deste amor nasceu composições perfeitas, originais, sensíveis e humanas.

O disco é de uma perfeição completa e estupenda. Aconselho a ouvi-lo quando se está triste, para que cada frase dita por Paulo seja degustada, seja engolida, seja dilatada em seus poros com tamanha parcimônia e harmonia. E que cada música cantada por Clara seja absolvida da melhor das hipóteses, com todo o carinho e sentimentalismo puro a qual ela nos passa. Ouvir este disco é ter a certeza de que o amor existe e existe no coração dos homens fortes, dos homens que outrora são considerados sem coração, dos homens que não transmitem amor, mas que no fundo desse mesmo homem, a verdadeira palavra amor existe e existe tanto, que é capaz de fazer um coração feliz.

Antônio Maria e Dolores Duran se tivessem sido irmãos não seriam tão parecidos. Os dois gostavam de viver mais de noite do que de dia, os dois faziam canções, os dois precisavam de amor para respirar, eram puxados para o mesmo sentimento e, mesmo na hora da morte, os dois foram atingidos por um só inimigo: o coração. A obra que os dois deixaram, hoje espalhada pelos jornais e redes sociais, reflete essa indisfarçável identidade. Mas, prestando atenção nas coisas que eles disseram e escreveram e nas músicas que eles fizeram é a gente descobre a expressão maior dessa semelhança: os dois se refugiavam do absurdo do mundo, que eles revelaram com humor e amargura, na desesperada aventura afetiva. O amor era o último reduto dos dois.

Clara e Paulo harmonizam um disco maravilhoso, lançado em 1974, hoje pouco disponível para a venda. Mas na internet e redes sociais é muito possível e provável que você tenha acesso ao conteúdo gerado por dois gênios da música popular brasileira, Antônio e Dolores, que simplesmente se amaram e viveram. Mas ouçam o disco com toda a atenção. E até mesmo as pessoas que acham que o coração de um homem temperamental é rude ou insensato, as pessoas estão totalmente equivocadas quando se existe um alguém para amar e ser amado.

Nota 10

Brasileiro Profissão Esperança

Clara Nunes e Paulo Gracindo

Marcelo Teixeira.

CLARA NUNES, MEU SONHO CRISTALINO!

guerreira!

MINHA HOMENAGEM Á CLARIDADE

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PARCERIA MERCADO LIVRE

ANINHA VIEIRA

Minha foto
BRASIL, RS, Brazil
MAIS UM ESPAÇO DEDICADO A NOSSA ESTRELA MAIOR CLARA NUNES. CLARA, NÓS TE AMAMOOOOOOOOOOOOOSSS!!!! ANINHA VIEIRA/RS